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ToggleImagine sair para trabalhar e não saber se vai voltar para casa. Infelizmente, essa é a realidade de muitos profissionais da estrada. Casos de motorista assaltado no trabalho têm crescido de forma alarmante, especialmente entre entregadores, caminhoneiros e condutores de transporte de valores. Mas a grande dúvida é: quem é o responsável quando um assalto acontece durante o expediente?
Neste artigo, você vai entender os direitos do motorista assaltado, o que a lei determina sobre a responsabilidade da empresa e como agir legalmente com o apoio de um advogado trabalhista.
1. Por que motoristas estão cada vez mais em risco
1.1 Assaltos crescem e empresas se omitem
O transporte profissional se tornou uma das atividades mais perigosas no Brasil. Roubos de carga, assaltos à mão armada e até sequestros têm feito parte da rotina de muitos motoristas. Em muitas situações, os profissionais estão sozinhos, sem escolta, sem rastreamento, sem apoio. A empresa envia o funcionário à rota e espera o retorno, como se nada pudesse dar errado.
1.2 Quando a empresa deve agir
Se a empresa sabe que o local é perigoso, mas não toma nenhuma precaução, ela pode ser responsabilizada. A Justiça tem entendido que o empregador tem o dever de proteger o trabalhador — especialmente quando o risco é previsível. E quando esse dever é ignorado, o motorista assaltado no trabalho tem o direito de ser indenizado.
2. O que diz a lei sobre motorista assaltado no trabalho
2.1 Atividade de risco e responsabilidade objetiva
O transporte de cargas ou valores é, por definição, uma atividade de risco. Isso significa que, mesmo que a empresa alegue que não teve culpa no assalto, ela pode ser obrigada a indenizar. Basta comprovar que o crime ocorreu durante o exercício do trabalho. Essa regra está amparada pelo artigo 927 do Código Civil e tem respaldo na jurisprudência da Justiça do Trabalho.
2.2 O que a Justiça do Trabalho tem decidido
Diversas decisões reconhecem o direito à indenização para o motorista assaltado no trabalho. Quando há danos físicos, emocionais ou materiais, o empregador pode ser condenado a pagar valores que incluem danos morais, perda de bens e custos médicos, além de pensão, nos casos mais graves.
3. Casos em que a empresa é culpada
3.1 Ausência de proteção em áreas perigosas
Imagine um motorista enviado para uma região conhecida por assaltos, sem nenhum tipo de segurança. A empresa não oferece escolta, não avisa sobre os riscos e sequer acompanha a viagem. Inevitavelmente, acontece acontecerá de o motorista assaltado no trabalho. Isso é negligência. E a Justiça reconhece que houve falha.
3.2 Reincidência de assaltos ignorada
Se outros funcionários da mesma empresa já sofreram assaltos semelhantes e, mesmo assim, nada foi feito, a empresa pode responder por omissão grave. A repetição do problema sem solução agrava ainda mais a situação legal.
4. Direitos do motorista assaltado no trabalho
4.1 Indenizações por danos morais e materiais
O motorista que foi assaltado pode pedir indenização por todos os prejuízos sofridos: celular roubado, pertences pessoais, dinheiro, documentos, traumas emocionais, além do risco à vida. A Justiça entende que o motorista assaltado no trabalho não pode arcar sozinho com as consequências.
4.2 Afastamento e suporte emocional
Se o profissional precisa se afastar por problemas psicológicos ou lesões, a empresa deve respeitar esse período e garantir estabilidade. Em alguns casos, pode haver necessidade de tratamento com apoio financeiro da empresa ou do INSS.
5. Como um advogado pode ajudar o trabalhador
5.1 Organizar provas e relatar o caso
Um advogado experiente sabe o que buscar: boletim de ocorrência, escalas de rota, registros de comunicação com a empresa, relatos de outros motoristas. Tudo isso ajuda a comprovar a responsabilidade da empresa no assalto.
5.2 Buscar reparação e segurança
O advogado entra com o processo, negocia acordos, participa de audiências e luta para que o motorista seja respeitado e compensado. Ele também pode exigir medidas de segurança para evitar novos casos.
6. O que as empresas devem fazer para evitar assaltos
6.1 Monitoramento e escoltas quando necessário
Empresas responsáveis investem em rastreadores, monitoramento em tempo real e, se necessário, escolta armada. Não é gasto — é proteção de vidas e patrimônio.
6.2 Planejamento logístico seguro
Rotas seguras, horários alternativos, análise de risco por região e mudança de estratégia em áreas perigosas são medidas simples, mas eficazes.
6.3 Treinamento e canais de denúncia
Oferecer treinamentos periódicos para motoristas e manter canais de denúncia abertos para relatar ameaças ou rotas inseguras fortalece a cultura de segurança e reduz ocorrências.
Leia também: Como controlar a jornada do motorista de transporte de cargas?
7. Perguntas frequentes sobre motorista assaltado
7.1 O motorista tem culpa no assalto?
Não. A vítima de um crime não pode ser culpada pela ação de criminosos. A menos que haja desvio de conduta comprovado, o motorista assaltado no trabalho tem direito à proteção legal.
7.2 A empresa é sempre responsável?
Em atividades de risco, sim. Mesmo sem culpa direta, a responsabilidade objetiva prevê que a empresa deve indenizar o trabalhador, por se tratar de um risco previsível da função.
7.3 O que fazer logo após o assalto?
Registrar boletim de ocorrência, informar a empresa por escrito, guardar documentos e buscar apoio jurídico. Quanto mais rápido o motorista agir, maior a chance de garantir seus direitos.
8. Conclusão: a estrada não pode ser uma sentença
A estrada é o local de trabalho de milhares de brasileiros. Mas ela não pode ser um campo de medo e violência. Quando ocorre um crime, o motorista assaltado no trabalho precisa ser amparado — legal, financeira e emocionalmente.
Empresas conscientes protegem seus funcionários, evitam tragédias e fortalecem sua reputação. Já motoristas informados sabem quando buscar ajuda e como exigir seus direitos. E, nesse caminho, o papel do advogado é essencial.
Se você ou alguém que conhece é um motorista assaltado no trabalho, não hesite: procure orientação jurídica. A Justiça está cada vez mais atenta à realidade dos trabalhadores da estrada — e pronta para agir.