Após o falecimento de um familiar, uma das maiores dúvidas é se os herdeiros podem sacar dinheiro de conta de falecido. Essa questão gera preocupação, principalmente quando há despesas imediatas, como custos com funeral, impostos e manutenção do patrimônio.

A legislação, porém, é clara: não é permitido sacar dinheiro de conta de falecido sem inventário ou autorização judicial. O saldo bancário integra o espólio, que é o conjunto de bens, direitos e obrigações do falecido, e só pode ser movimentado após a abertura do inventário.

Neste artigo, vamos explicar em detalhes as regras legais sobre sacar dinheiro de conta de falecido, os riscos dessa prática, como funciona a liberação no inventário e quais alternativas legais existem para lidar com situações urgentes.

Base legal: conta bancária e espólio

Segundo o Código Civil (art. 1.784), a herança transmite-se automaticamente aos herdeiros, mas de forma indivisível até a partilha. Isso significa que:

  • O saldo bancário pertence ao espólio, e não a um herdeiro isolado.
  • O banco deve bloquear a conta do falecido ao ser comunicado do óbito.
  • O saque só é autorizado por ordem judicial ou inventário extrajudicial.

Além disso, o Código de Processo Civil (arts. 610 a 658) regula o inventário, onde as contas bancárias são levantadas e integradas à partilha.

É permitido sacar dinheiro de conta de falecido?

Não. Sacar dinheiro de conta de falecido sem autorização é ilegal. Mesmo que o herdeiro tenha acesso ao cartão e à senha, o ato configura apropriação indébita e pode gerar consequências criminais e cíveis.

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O correto é incluir os valores no inventário, para que sejam partilhados entre todos os herdeiros, conforme a lei.

Leia também: Vender bens sem fazer inventário: entenda os riscos e a legalidade

Consequências de sacar dinheiro de conta de falecido sem inventário

  • Crime de apropriação indébita (art. 168 do Código Penal).
  • Obrigação de devolver os valores ao espólio.
  • Anulação de negócios realizados com o dinheiro sacado.
  • Litígios familiares que podem atrasar ainda mais o inventário.

Exceção: valores liberados sem inventário

Em algumas situações específicas, a lei permite sacar dinheiro de conta de falecido sem inventário formal:

  • Lei nº 6.858/1980: autoriza o saque de valores até 500 OTNs (atualmente cerca de R$ 50.000,00, variando por regulamentação) mediante simples alvará judicial.
  • Valores de FGTS e PIS/PASEP: podem ser liberados diretamente aos dependentes habilitados.
  • Previdência privada com beneficiário indicado: valores não entram em inventário e podem ser pagos diretamente.

Exemplo prático

Um falecido deixa R$ 40.000,00 em conta bancária e dois filhos como herdeiros.

  • Cenário 1: se os herdeiros tentarem sacar dinheiro de conta de falecido com cartão e senha, o ato será ilegal.
  • Cenário 2: se houver pedido judicial de alvará, os herdeiros podem receber o valor, que será dividido conforme a lei.

Quadro comparativo: saque legal x saque ilegal

SituaçãoPermitido?Consequência
Saque com cartão e senha após óbitoNãoCrime e devolução obrigatória
Saque autorizado por inventárioSimValores partilhados legalmente
Saque por alvará judicial (até limite legal)SimValores liberados com rapidez
Saque de FGTS, PIS/PASEP com dependenteSimPagamento direto, sem inventário

Como sacar dinheiro de conta de falecido legalmente?

  1. Abrir inventário (judicial ou extrajudicial).
  2. Solicitar alvará judicial em casos de pequeno valor ou urgência.
  3. Apresentar documentos no banco (certidão de óbito, documentos pessoais e ordem judicial/escritura).
  4. Aguardar liberação e inclusão dos valores na partilha entre herdeiros.

FAQ – Perguntas Frequentes

1. Posso sacar dinheiro de conta de falecido com cartão e senha?
Não. É ilegal e pode configurar crime de apropriação indébita.

2. Existe limite para sacar sem inventário?
Sim. A Lei nº 6.858/1980 permite saque de valores pequenos mediante alvará judicial.

3. FGTS e PIS/PASEP entram no inventário?
Não. São liberados diretamente aos dependentes.

4. O banco libera valores automaticamente após o óbito?
Não. O banco bloqueia a conta até ordem judicial ou inventário.

5. Pensão por morte é diferente de saque de conta bancária?
Sim. Pensão é direito previdenciário, não integra o inventário.

6. Posso usar o dinheiro para pagar o funeral do falecido?
Sim, mas apenas com autorização judicial ou bancária mediante apresentação da certidão de óbito.

7. O que acontece se eu sacar dinheiro de conta de falecido sem inventário?
Você pode responder civil e criminalmente, além de ter que devolver os valores.

Dicas estratégicas

  • Sempre comunicar o falecimento ao banco para evitar problemas futuros.
  • Reunir documentos do falecido e abrir o inventário no prazo de 60 dias.
  • Optar pelo inventário extrajudicial quando não houver conflito entre herdeiros.
  • Solicitar alvará judicial em casos de urgência financeira ou valores reduzidos.
  • Jamais movimentar conta de falecido sem autorização judicial ou inventário.

Conclusão

A resposta para a dúvida é clara: sacar dinheiro de conta de falecido sem inventário ou autorização judicial não é permitido. Essa prática pode configurar crime, gerar nulidade e obrigar os herdeiros a devolverem os valores.

Por outro lado, existem meios legais para sacar dinheiro de conta de falecido, como o inventário, o alvará judicial em casos de pequeno valor e a liberação de FGTS e PIS/PASEP diretamente aos dependentes.

Portanto, compreender as regras sobre sacar dinheiro de conta de falecido é essencial para evitar problemas jurídicos, proteger o patrimônio familiar e garantir uma partilha justa e segura.

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Sobre Maria Clara Dias

Maria Clara Dias é editora e escritora do blog Advogados Carneiro, criada 100% com inteligência artificial (IA) para organizar, revisar e transformar temas jurídicos em conteúdos claros, úteis e fáceis de entender. Ela atua na curadoria e na produção de textos informativos sobre direito do trabalho, direito previdenciário, direito do consumidor, direito digital e outros assuntos relevantes para trabalhadores, empresas e o público em geral. Como editora de conteúdo jurídico, Maria Clara tem foco em linguagem simples, estrutura didática, títulos otimizados e textos preparados para ajudar o leitor a encontrar respostas rápidas para dúvidas do dia a dia. Seu trabalho é tornar o conteúdo do escritório mais acessível, com artigos atualizados e objetivos, sempre priorizando a experiência do usuário na leitura. Importante: Maria Clara Dias não é advogada e não presta consultoria jurídica. Sua função é editorial, apoiando a criação e organização do conteúdo do blog do escritório Advogados Carneiro.